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largo espaço Que te não vejo, espero Lhe contes o que eu passo N este aspero desterro Que assim que te não veja É noite fria e escura, Noite que mette inveja Á mesma sepultura Em acordando agora, O meu contentamento É vêr em cada aurora Um dia de tormento Podesse eu dar-te a prova Dos dias que me esperam, Lançando-me na cova Onde elles te pozeram Lançassem-me algum dia Ao pé, que de repente O coração te havia De ainda pular quente.
importa digam-no É pelo fructo que a oliveira escolho.Minerva brada o pai d homens e deuses, És quem, de todos, sabes mais sem duvida No que não luza...mal fundada gloria.Ora se não sei eu quem foi teu pai Fidalgo sei perfeitamente bem.
vol-o dou.E lá do espaço immenso Se amada estrella olhar piedoso envia A quem da terra a adora Se o sol aceita á flôr humilde incenso Ha no amor tambem muita poesia...Minha senhora Thuribulo suspenso inda fluctuo, Em quanto a alma em incenso restituo Mas, quando como fumo que se esvai, Minha alma vás teu rumo.
Deixa que ao espaço immenso os olhos lance O sol antes que expire Que pelo norte a bussola suspire E nelle só descance.Amam leões e tigres.Não ha nada, Anjo que a amor se esconda.Beija a pomba o seu par e abraça a onda A rocha inanimada.Deixa que a nuvem negra tolde a lua Se a leva a tempestade Deixa que eu te ame a ti, cara metade, D esta alma toda tua Maria vêr-te á porta a fazer meia, Olhando para mim de vez em quando, É o que n esta vida me recreia.
escolha.Está na mesa O que ha em casa é tirar Tirar com toda a franqueza Inda hão-de espinhos sobrar.Mas se espinhos, mas se abrolhos Lhe não agradam, amor Mire-se bem nos meus olhos, Que ha-de ahi vêr...uma flôr.Emilia não vês a lua Como vacilla e fluctua, Ora avança, ora recúa, E não ha passar d alli Tu és a imagem d ella És tão sympathica e bella, Meiga e timida, que ao vêl-a Me lembra sempre de ti Tu és o botão de rosa Que abraçado á mãi formosa Só folga, só vive e goza N aquella triste união Treme até de ouvir a aragem Passar por entre a folhagem Emilia tu és a imagem Do mais timido botão.
flôres.A Rosa trouxe-me rosas E nada mais natural, Mas eu prendas tão mimosas É que não tenho inda mal.Quando tinha, se me désse, Não digo mais que uma flôr, Talvez de flôres lhe enchesse Esses cofrinhos d amor.Aguas passadas, Rosinha Deixal-o veja se vê N este chão que já foi vinha Coisa que ainda se dê.
mysterio é tudo Folhinha d herva, e estrella, Não ha comprehendêl-a É contemplal-a mudo.E a herva, como existe, A mim quem m o diria, Se a luz que me alumia Nem sabe em que consiste Mas uma coisa sabe O que a cabeça ignora O coração.
embora o tempo gira.Um dia o botão, que aspira O ar da manhã...suspira E levanta o collo ao céo Vê vir raiando a aurora, Abre o seio á luz que adora, Correm-lhe as lagrimas, chora...Chora o tempo que perdeu Porque elle, Emilia não teme Que a luz da aurora o queime Elle suspira, elle geme Por vêr a luz que o creou.
nuvem que nos passa Pela manhã nos ares, Era hontem a fumaça Que andava n esses mares E a nevoa, que tu vês Nas ondas fluctuantes, Corria-nos aos pés Talvez um dia antes.A agua é que no giro Em que anda eternamente Não deu nunca um suspiro Em prova de que sente.
essas azas, estendida, Me tapavas tu todo, E d esse modo, Com esse escudo, Eu ria-me de tudo E levava esta vida alegremente.Tenho essa fé.Vejo tambem a flôr que nasce ao pé D agua corrente, Ir tão suavemente Levada pela agua Talvez até sem magua De deixar sua mãi.
concebo Como Deus me creasse Para tormento eterno Elle que tão affavel, meigo e terno Te beija a ti a face E te embala no collo, Margarida A mim dar-me esta vida...Mas vejo á sombra d altos edificios Miudissimas flôres De tão subtís e delicadas côres Que se o sol lhes chegasse Talvez que nem resquicios Lhes ficasse.
lindo pé que tens, Maria Esse quadril tão largo, e cinta estreita, Me não vinha á idéa noite e dia Esses encontros de mulher perfeita, Esse peito redondo e arqueado Como o de pomba farta e satisfeita.Talvez vivesse então mais socegado, Ou já que minha sorte é sempre triste Ao menos não andasse enfeitiçado.
reduz a nada um grão d arêa, E havia de a nossa alma, a nossa idêa Nas ruinas do pó ficar perdida Isso que pensa e quer até me admiro, Isso que a luz nos traz, que a luz nos leva, Isso que me abre o céo que ao céo me eleva N um teu cançado olhar, n um teu suspiro Onde, não sei eu bem, mas sei que existe Deus remunerador.
tambem a lua pára Se algumas vezes repara N uma nuvem menos clara, É um momento e...passou.Não ha existencia alguma Que não tenha amor nenhuma Porque o amor é, em summa, Essencia de todo o sêr.Ha sempre quem nos attráia.Mil vezes que a onda cáia, Ha uma rocha, uma praia Aonde a onda vai ter.
Foi um diluvio d agua E o furacão, que fez, Emilia até dá mágoa Tantos estragos vês Esta infeliz víuva, Foi-lhe o telhado ao ar Depois, já nem da chuva Tinha onde se abrigar.De mais a mais sósinha, Sem ter nenhum dos seus Aqui ao pé ceguinha.
arvore, o que faz Enrola-se na copa E, tronco e tudo, zás Que as folhas não são nada, Uma por uma, não Mas já uma pernada...Tão poucas ellas são Vê lá se o teu cabello É para comparar Mas, possa alguem sustel-o, Levanta-te no ar.
cobrar logo A fórma e côr perdida, E a bocca toda fogo Ah inspirar-me a vida Supplíca, ó anjo implora Ao Pai universal Que me deixe ir embora D este horroroso val De lagrimas amargas, E turvas de tal modo, Como umas nuvens largas Que tapam o céo todo Inferno e céo, conforme A nossa fé, confesso Que é um mysterio enorme, É um mysterio immenso.
Então, se por encanto Fallando em ti, mas só, Todo banhado em pranto Me visses, tinhas dó.Tinhas.A piedade É filha da mulher, Que sempre quiz metade D uma afflicção qualquer.Havias ao teu rosto De me apertar a mim, D encher, fartar de gosto, Todo este abysmo sim.
córrego acima, Subo á ponta do penedo Que a vida só quem a estima É que da morte tem medo.A mesma tristeza anima A encarar a pé quedo A morte que se aproxima A tirar-nos do degredo, Que inda a gente se lastima De não acabar mais cedo.E alli sósinha chorando Me lembrava, ora a ventura Da minha infancia, inda quando Levava os dias brincando Ora a desgraça futura, Que me estava annunciando Não sei se a minha amargura, Se uma nuvem, grande e escura, Que se ia no ar formando E vinha já avançando, Como que á minha procura.
olhos só elles valem Duas estrellas, bem vês Pois vozes que a tua igualem Na doçura, na pureza, Na terra, não, com certeza Agora no céo, talvez.Não ha assim perfeição, Não ha nada tão perfeito, Mas é um grande defeito O de não ter coração.
Depois de mortos Hemos de vêr-nos, e um no outro absortos Fartar de glorias este amor tão triste. Tão triste, e o coração que me adivinha N este supplicio nosso este tormento Nunca dos labios teus minimo alento N um só beijo bebi em vida minha E morro sem te vêr Cabeça doida, Desasisado amor Sonhar afflicto Um sonho até morrer.
Colhi-o, pul-o no seio, E é hoje o livro que leio.Prestes, se inda na rocha de granito D onde em tempo me vias te sentares, Não olhes para a terra ou para os mares, Olha sim para o céo, que é lá que habito.Lá tão longe de ti, mas não do terno, Bondoso pai que os dois nos ha gerado, Só para mágoas não, que bem guardado Nos tem tambem no céo prazer eterno.
Pobre musgo, descuidado, Sem olhos para chorar, Sem poder alliviar Com seu pranto um desgraçado, Consolar-se e consolar Fallas mais a meu agrado Que o livro mais afamado D esses livros, que em lugar De nos dar consolação, Nos fazem cahir no chão Um pranto mal empregado, E inda mais amargurado Nos deixam o coração.
Murcha a rosa que desgosto Só de lhe a gente bulir E essas rosas do teu rosto É em alguem te tocando Que parece mesmo quando Ellas acabam de abrir.Cheiro, o da rosa, esse não, Não é mais do meu agrado, Que o teu bafo perfumado, A tua respiração.
ainda o pranto corria E o cabello me batia No rosto, que me doía, Tal era a força do vento Já tudo tão pardacento A nevoa e chuva fazia Que eu olhava, mas dizia É nuvem ou penedia Aquelle vulto cinzento O mar brilhante algum dia Como prata luzidia Já ninguem o distinguia Da terra e do firmamento Uivar só é que se ouvia, Mas uivar sem sentimento E como em grande tormento Se desvaira a phantasia Fosse eu mar, disse valia Mais ser coisa bruta e fria, Como a rocha onde me sento.
intima influencia, Oh fugitiva luz Luz cuja eterna ausencia É minha eterna cruz.Podessem-te, ainda antes Do meu extremo adeus, Meus olhos fluctuantes Vêr lampejar nos céos.Se ainda n esse espaço, Tão longe onde tu vás, Visse um reflexo baço Da pura luz que dás Tornaram-se-me estrellas As lagrimas de dôr E lagrimas são ellas.
loureirinho, Que era o que havia só, Encontra-o no caminho, Ia-o fazendo em pó.D aqui passa, á maneira Assim d um caracol, Áquella farrobeira Põe-lhe a raiz ao sol.Aquelle enorme tronco Quiz resistir, depois, Ouviu-se um grande ronco, Quando o eu vejo em dois.
tambem, Amparando-me tu a mim nos braços, Eu seguia-te os passos, Fosse por onde fosse E d essa sorte Até a morte Me seria dôce.Dorme, estatua de neve, Vergontea de marfim Tocar que impio se atreve No que é sagrado assim Dois são o mais, mysterio Vedado á terra.
nuvem da manhã resplandecente, Manto real de sêda delicada, Cada fio um grilhão que prende a gente.Bem podias, Maria andar tapada Só com o teu cabello, á semelhança Do sol em nuvem de manhã doirada.É tudo encantador.A gente cança, Cança de estar olhando e sempre vendo Um novo encanto a cada olhar que lança.
deuses, cada qual uma arvore, Á sua guarda consagraram Jupiter Esse o carvalho, a murta Venus, Hercules Lá esse o alemo, e o loureiro Apollo.Vendo-as Minerva todas infructiferas Que é isto exclama.Jupiter acode-lhe Senão, diriam, filha que as guardavamos Só pelo fructo.
Pára, quando a engole Aquelle mar sem fundo Nem pára é como o sol E como todo o mundo...Ahi não pára nada, Tudo viaja e anda, Que a ordem lhe foi dada, E dada por quem manda.Chega a corrente lá, Engole-a logo a onda Depois, que é d ella já A nuvem que responda.
Acordo até de noite suspirando Por que rompa a manhã e tenha o gosto De te vêr já tão cedo trabalhando.Desde pela manhã até sol-posto Que não tens de descanço um só momento Por isso tens tão bella côr de rosto.E eu pallido, Maria O pensamento Não é trabalho que nos dê saude, Esta imaginação é um tormento.
Depois a rosa em abrindo Vai-se-lhe o cheiro tambem A tua bocca em te rindo Só o bom cheiro que exhala...E quando fallas, a falla, Isso é que a rosa não tem.Ella o que tem, meu amor O cheiro, a côr e mais nada.Confessa, rosa animada Que és outra casta de flôr.
valle, ambas irmãs, nascidas fomos És como eu sou E amamo-nos, e flôres ambas somos, Mas eu não vôo.A ti leva-te o ar prende-me a terra A mim e eu Como hei-de perfumar-te em valle e serra, E lá no céo...Mais longe inda tu vás, por outras flôres.
não, a paixão que assim me trouxe Tão erradio a mim, digo a verdade E nem eu te negava se assim fosse.É que a gente na sua mocidade Não cabe em si, não pára de contente, E assim fui eu na flôr da minha idade.Tu eras n esse tempo simplesmente A flôr que vai nascendo e mais valia Seres tão tenra ainda e innocente.
baixo, abala, Deixa em podendo o collo Tão terno que te embala, E vem-me dar consolo.Como essa imagem pura Ah sobrevive ao nada E escapa á sepultura, Tão fresca e perfumada Nunca uma noite eu deixe De estar a vêr que existes, Em quanto me não feche O somno os olhos tristes.
Has-de, cysne expirando alçar teu canto, Has-de lá quando a lua da montanha Te acene o extremo adeus, Voar, Candida ao céo, e ebria de encanto, No oceano d amor que as almas banha, Unir teu canto aos seus.Seus, d ellas, mãi e irmã, cinzas cobertas D um só jacto de terra.
admira a mim que o sol, monarcha De indisputavel throno, e throno eterno Em céo e terra e mar Que em seu imperio o mundo inteiro abarca Abaixe á pobre flôr seu dôce e terno, Mavioso olhar.Não me admira a mim que a crystallina, Tão pura, onda do mar, que espelha a face Do astro creador, Que essas asperas rochas cava e mina, Á praia toda languida se abrace E toda amor Mas sendo vós um sêr mais precioso Do que onda e sol um anjo de poesia Inspirada e que inspira Que ás minhas mãos, das vossas, tão mimoso, Delicado penhor descesse um dia É que me admira.
quando penso bem n esse mysterio Da virtude infeliz vai teu caminho Dois mundos Deus creou.Deus não dispara a setta envenenada Á pombinha que aos ares despedira Com mão traidora e vil.Imagem sua, Deus não volve ao nada, Não aniquila a flôr que ao chão cahira Lá d esse eterno abril.
bonita, meu amor Que perfeita, que formosa A ti pozeram-te Rosa, Não te fizeram favor.A rosa, quem ha que a veja Bandeando, sem gostar Mas por mais linda que seja A rosa, quando se embala, Não te ganha nem iguala A ti em indo a andar.A rosa tem linda côr, Não ha flôr de côr mais linda Mas a tua côr ainda É mais fina e é melhor.
Perdoa se isto exprime Maldade aos olhos teus Perdoa-me se é crime...Amo tambem a Deus.E á tarde quando o albergue, No solitario val, Incenso queima e se ergue D Abel o fumo igual Da pomba solta o vôo, Baixa-me um olhar teu E dize-me perdôo Sim, tudo aspira ao céo Patria berço d amor, que a alma embala Em quanto a luz vital nos illumina, E onde só descançado se reclina Quem, longe d ella, dôr contínua rala.
Depois é que o mundo falla E se mette com a vida De quem ás vezes se cala Por ser mais bem procedida.Que esta gente que faz gala Em coisa, que vê, contal-a, E sendo mal permittida Inda em cima acrescental-a, Teem a lingua comprida E bem deviam cortal-a.
Não cabe Em nossa pobre lingua O que a alma sente, á mingua De voz, que só Deus sabe.Um dia, não sei que eu tinha...Uma tristeza tamanha E lembra-me ir á montanha, Que temos aqui vizinha, Onde em tempo me entretinha Horas e horas sósinha Quando ainda se não estranha Que n uma teia de aranha Se prenda uma innocentinha, Ou atraz d uma avesinha Se cance a vêr se a apanha.
Amo-te a ti, e a Deus.Teus sonhos são riquezas Talvez e fasto.Os meus, És tu, que me desprezas.Deixal-o.Amor acaso É racional Não é.O fogo em que me abrazo É como a luz da fé Que além de cega, apaga O facho da razão.Ama-se e não se indaga Se se é amado ou não.
desprezaes embora Culto e adoração De quem vos ama agora As dôres, essas não.Despe o luto da tua soledade E vem junto de mim, lirio esquecido Do orvalho do céo Tens nos meus olhos pranto de piedade, E se és, mulher irmã dos que hão soffrido, Mulher sou irmão teu.
Girar, talvez, Em quanto a minha sombra, meus amores Gira a meus pés E vens-me vêr depois, mas vaes-te embora, Sabendo, assim, Que em lagrimas me encontra sempre a aurora Pobre de mim Acabem-se estas mágoas, meu thesoiro E meu amor Cria raiz ou dá-me as azas de oiro, Celeste flôr Olha como embrulhado Que está ainda o céo E o chão, como ensopado Da agua que choveu.
andam a passar Do quarto onde acabaste Á casa de jantar Os vultos, que deixaste.Os vultos, que os vestidos Tão negros que pozeram, De luto, tão compridos, Não sei que ar lhes deram A tua bella irmã, A tua piedade, A rosa da manhã, A flôr da mocidade, Quem lhe diria a ella, Tão cheia de alegria, Que haviamos de vêl-a Assim já hoje em dia É esta vida um mar, E bem se póde a gente, Marina comparar A rapida corrente, Que vai de lado a lado Por esses valles fóra Sem nunca lhe ser dado Ter a menor demora.
cinza, em terra, em nada, Meu sêr converte, ó luz, Mas sempre, sempre amada, Deliciosa cruz Em fumo se vai tudo, amigo Olhando Para as nuvens do céo, nuvens d aquellas, E parece-me ainda que mais bellas, Anda a gente fazendo e desmanchando.Dá-me uma saudade em me lembrando O bello tempo que passei com ellas, Por essa immensa abobada de estrellas, Por esse mar de fogo viajando.
Gaspar é o que vem N esta vida fazer quem já lá vai.Já se vê que é aos paes que a gente sái.Tal pai, tal filho sim, duvída alguem Que um pai se é como o teu, homem de bem, Tu és homem de bem como teu pai D isto não ha quem possa duvidar.
Amo-te.O mais ignoro.Mas os meus ternos ais E as lagrimas que chóro Podem dizer o mais.Que chóro se te admira.Nunca tiveste amor.Quem tem amor, suspira, E o suspirar é dôr.Ah quando abraço e beijo O travesseiro e, assim, Acórdo e te não vejo, Vejo-me só a mim Não sei, mulher que anceio Se me traduz n um ai Confrange-se-me o seio, Rebenta o pranto e cái.