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vol-o dou.E lá do espaço immenso Se amada estrella olhar piedoso envia A quem da terra a adora Se o sol aceita á flôr humilde incenso Ha no amor tambem muita poesia...Minha senhora Thuribulo suspenso inda fluctuo, Em quanto a alma em incenso restituo Mas, quando como fumo que se esvai, Minha alma vás teu rumo.
deuses, cada qual uma arvore, Á sua guarda consagraram Jupiter Esse o carvalho, a murta Venus, Hercules Lá esse o alemo, e o loureiro Apollo.Vendo-as Minerva todas infructiferas Que é isto exclama.Jupiter acode-lhe Senão, diriam, filha que as guardavamos Só pelo fructo.
Acordo até de noite suspirando Por que rompa a manhã e tenha o gosto De te vêr já tão cedo trabalhando.Desde pela manhã até sol-posto Que não tens de descanço um só momento Por isso tens tão bella côr de rosto.E eu pallido, Maria O pensamento Não é trabalho que nos dê saude, Esta imaginação é um tormento.
Sois feiticeira enfeitiçaes d amores.Enfeitiçaes que a formosura, crêde, Não vem da face avelludada e bella A formosura vem só d alma é d ella Que brota a fonte que nos mata a sêde.Vós sois velhinha, já não tendes côres Que o rosto animem e que os olhos prendam, Mas tendes prendas que o amor accendam, Tendes ainda no inverno.
importa digam-no É pelo fructo que a oliveira escolho.Minerva brada o pai d homens e deuses, És quem, de todos, sabes mais sem duvida No que não luza...mal fundada gloria.Ora se não sei eu quem foi teu pai Fidalgo sei perfeitamente bem.
Astros fio-me em vós, e Deus permitta Que os infelizes sempre em vós se fiem.Intima voz do fundo, bem do fundo D alma me diz e as lagrimas me saltam Vês os milhões de soes que o espaço esmaltam Pisa a terra a teus pés, inda ha mais mundo.Ha depois d esta vida inda outra vida.
reduz a nada um grão d arêa, E havia de a nossa alma, a nossa idêa Nas ruinas do pó ficar perdida Isso que pensa e quer até me admiro, Isso que a luz nos traz, que a luz nos leva, Isso que me abre o céo que ao céo me eleva N um teu cançado olhar, n um teu suspiro Onde, não sei eu bem, mas sei que existe Deus remunerador.
bello pescoço, não existe Outro assim torneado o rosto é lindo E a tão meiga expressão ninguem resiste.A bocca é tão vermelha que, em te rindo, Lembra-me uma romã aberta ao meio Quando já de madura está cahindo.Esses olhos azues...que olhar Receio E desejo estar sempre a contemplal-o Não ha mais dôce e mais custoso enleio Eu não oiço fallar então, nem fallo De enlevado que estou e, juntamente, Gemendo e abafando os ais que exhalo.
Depois de mortos Hemos de vêr-nos, e um no outro absortos Fartar de glorias este amor tão triste. Tão triste, e o coração que me adivinha N este supplicio nosso este tormento Nunca dos labios teus minimo alento N um só beijo bebi em vida minha E morro sem te vêr Cabeça doida, Desasisado amor Sonhar afflicto Um sonho até morrer.
Gaspar é o que vem N esta vida fazer quem já lá vai.Já se vê que é aos paes que a gente sái.Tal pai, tal filho sim, duvída alguem Que um pai se é como o teu, homem de bem, Tu és homem de bem como teu pai D isto não ha quem possa duvidar.
Girar, talvez, Em quanto a minha sombra, meus amores Gira a meus pés E vens-me vêr depois, mas vaes-te embora, Sabendo, assim, Que em lagrimas me encontra sempre a aurora Pobre de mim Acabem-se estas mágoas, meu thesoiro E meu amor Cria raiz ou dá-me as azas de oiro, Celeste flôr Olha como embrulhado Que está ainda o céo E o chão, como ensopado Da agua que choveu.
admira a mim que o sol, monarcha De indisputavel throno, e throno eterno Em céo e terra e mar Que em seu imperio o mundo inteiro abarca Abaixe á pobre flôr seu dôce e terno, Mavioso olhar.Não me admira a mim que a crystallina, Tão pura, onda do mar, que espelha a face Do astro creador, Que essas asperas rochas cava e mina, Á praia toda languida se abrace E toda amor Mas sendo vós um sêr mais precioso Do que onda e sol um anjo de poesia Inspirada e que inspira Que ás minhas mãos, das vossas, tão mimoso, Delicado penhor descesse um dia É que me admira.
Sim, lagrimas d amor Vê n esse espaço immenso Os astros como estão Bem como eu estou, suspenso Por intima attracção.Porque ha quem os attráia É essa eterna paz Que a mim de praia em praia A suspirar me traz.Converte-me este inferno Em azulado céo, Ou quebra o laço eterno Que a tua luz me deu Ou antes muda em espuma De nunca estavel mar Esta alma que alma alguma Póde exceder em amar.
Quizera nos meus cofres de poeta Ter as riquezas todas do Oriente, E com mãos liberaes Expulsar esta duvida que inquieta Um grato coração que apenas sente E...nada mais De limpido diamante e fio de oiro, Quizera-vos tecer collar que á aurora Vencesse em brilho e côr Mas o poeta, o unico thesoiro Que tem, ah são as lagrimas que chora E o seu amor.
Deus sabe se eu dos montes vi tambem Nos vastos horisontes mais alguem Nos tristes e risonhos dias meus, Se alguem vi mais em sonhos, que ella e Deus.Porém quem é que apanha o aereo véo Da nuvem da montanha, se é do céo Se á terra a nuvem desce, quando vai Tocar-se-lhe, desfez-se como um ai.
não, a paixão que assim me trouxe Tão erradio a mim, digo a verdade E nem eu te negava se assim fosse.É que a gente na sua mocidade Não cabe em si, não pára de contente, E assim fui eu na flôr da minha idade.Tu eras n esse tempo simplesmente A flôr que vai nascendo e mais valia Seres tão tenra ainda e innocente.
quando penso bem n esse mysterio Da virtude infeliz vai teu caminho Dois mundos Deus creou.Deus não dispara a setta envenenada Á pombinha que aos ares despedira Com mão traidora e vil.Imagem sua, Deus não volve ao nada, Não aniquila a flôr que ao chão cahira Lá d esse eterno abril.
Amo-te a ti, e a Deus.Teus sonhos são riquezas Talvez e fasto.Os meus, És tu, que me desprezas.Deixal-o.Amor acaso É racional Não é.O fogo em que me abrazo É como a luz da fé Que além de cega, apaga O facho da razão.Ama-se e não se indaga Se se é amado ou não.
córrego acima, Subo á ponta do penedo Que a vida só quem a estima É que da morte tem medo.A mesma tristeza anima A encarar a pé quedo A morte que se aproxima A tirar-nos do degredo, Que inda a gente se lastima De não acabar mais cedo.E alli sósinha chorando Me lembrava, ora a ventura Da minha infancia, inda quando Levava os dias brincando Ora a desgraça futura, Que me estava annunciando Não sei se a minha amargura, Se uma nuvem, grande e escura, Que se ia no ar formando E vinha já avançando, Como que á minha procura.
Depois é que o mundo falla E se mette com a vida De quem ás vezes se cala Por ser mais bem procedida.Que esta gente que faz gala Em coisa, que vê, contal-a, E sendo mal permittida Inda em cima acrescental-a, Teem a lingua comprida E bem deviam cortal-a.
intima influencia, Oh fugitiva luz Luz cuja eterna ausencia É minha eterna cruz.Podessem-te, ainda antes Do meu extremo adeus, Meus olhos fluctuantes Vêr lampejar nos céos.Se ainda n esse espaço, Tão longe onde tu vás, Visse um reflexo baço Da pura luz que dás Tornaram-se-me estrellas As lagrimas de dôr E lagrimas são ellas.
Consolos não te dou, que não existe Quem de lagrimas suas nunca enxuto Possa as d outro enxugar Não póde allivios dar quem vive triste, Mas é-me dôce a mim chorar se escuto Alguem tambem chorar.Botão de rosa murcho á luz da aurora Que peccado equilibra o teu martyrio Na balança de Deus Se é como justo e bom que elle se adora Quem te ha mudado a ti, ó rosa em lirio, E em lirio os labios teus Não enche elle de balsamos o calix Da flôr a mais humilde, e esses espaços Não enche elle de luz Não veio o Filho seu, lirio dos valles Só por amor de nós tomar nos braços Os braços d uma cruz Mulher, mulher quando eu n um cemiterio Levanto o pó dos tumulos sósinho Eis, digo, eis o que eu sou.
arvore, o que faz Enrola-se na copa E, tronco e tudo, zás Que as folhas não são nada, Uma por uma, não Mas já uma pernada...Tão poucas ellas são Vê lá se o teu cabello É para comparar Mas, possa alguem sustel-o, Levanta-te no ar.
cinza, em terra, em nada, Meu sêr converte, ó luz, Mas sempre, sempre amada, Deliciosa cruz Em fumo se vai tudo, amigo Olhando Para as nuvens do céo, nuvens d aquellas, E parece-me ainda que mais bellas, Anda a gente fazendo e desmanchando.Dá-me uma saudade em me lembrando O bello tempo que passei com ellas, Por essa immensa abobada de estrellas, Por esse mar de fogo viajando.
Não cabe Em nossa pobre lingua O que a alma sente, á mingua De voz, que só Deus sabe.Um dia, não sei que eu tinha...Uma tristeza tamanha E lembra-me ir á montanha, Que temos aqui vizinha, Onde em tempo me entretinha Horas e horas sósinha Quando ainda se não estranha Que n uma teia de aranha Se prenda uma innocentinha, Ou atraz d uma avesinha Se cance a vêr se a apanha.
Deixa que ao espaço immenso os olhos lance O sol antes que expire Que pelo norte a bussola suspire E nelle só descance.Amam leões e tigres.Não ha nada, Anjo que a amor se esconda.Beija a pomba o seu par e abraça a onda A rocha inanimada.Deixa que a nuvem negra tolde a lua Se a leva a tempestade Deixa que eu te ame a ti, cara metade, D esta alma toda tua Maria vêr-te á porta a fazer meia, Olhando para mim de vez em quando, É o que n esta vida me recreia.
largo espaço Que te não vejo, espero Lhe contes o que eu passo N este aspero desterro Que assim que te não veja É noite fria e escura, Noite que mette inveja Á mesma sepultura Em acordando agora, O meu contentamento É vêr em cada aurora Um dia de tormento Podesse eu dar-te a prova Dos dias que me esperam, Lançando-me na cova Onde elles te pozeram Lançassem-me algum dia Ao pé, que de repente O coração te havia De ainda pular quente.
tanta mágoa.Senão, diga-me alguem que allivio é este Que sinto, quando á abobada celeste Alevanto os meus olhos rasos d agua.Mentem os céos tambem Os céos maldigo.Feras, tigres, tambem o céo povôam Tambem os labios lá sorrindo côam Veneno desleal em beijo amigo Mas na dôr é que os astros nos sorriem, E os homens não sorriem na desdita.
valle, ambas irmãs, nascidas fomos És como eu sou E amamo-nos, e flôres ambas somos, Mas eu não vôo.A ti leva-te o ar prende-me a terra A mim e eu Como hei-de perfumar-te em valle e serra, E lá no céo...Mais longe inda tu vás, por outras flôres.
Talvez do solio ethereo Nem baixe os olhos seus.Respeita-os, tapa-os, como Japhet e Sem, o pai...Pende, sagrado pomo A vista ergue-se e cai.Ergue-se e cai, conforme A lei, que o manda assim.Ergue-se e...Dorme, dorme, Vergontea de marfim Mas dize o espelho a imagem Te estampa mal te vê Beija-te o seio a aragem, Doira-te o sol porquê Não segue acaso a sombra Teu corpo sempre, flôr E pois, porque te assombra Meu insensato amor Ás vezes passas tremula Como sagrada luz E os olhos dizem vemol-a Como no alto a cruz.
Depois a rosa em abrindo Vai-se-lhe o cheiro tambem A tua bocca em te rindo Só o bom cheiro que exhala...E quando fallas, a falla, Isso é que a rosa não tem.Ella o que tem, meu amor O cheiro, a côr e mais nada.Confessa, rosa animada Que és outra casta de flôr.
baixo, abala, Deixa em podendo o collo Tão terno que te embala, E vem-me dar consolo.Como essa imagem pura Ah sobrevive ao nada E escapa á sepultura, Tão fresca e perfumada Nunca uma noite eu deixe De estar a vêr que existes, Em quanto me não feche O somno os olhos tristes.
tambem a lua pára Se algumas vezes repara N uma nuvem menos clara, É um momento e...passou.Não ha existencia alguma Que não tenha amor nenhuma Porque o amor é, em summa, Essencia de todo o sêr.Ha sempre quem nos attráia.Mil vezes que a onda cáia, Ha uma rocha, uma praia Aonde a onda vai ter.
Foi um diluvio d agua E o furacão, que fez, Emilia até dá mágoa Tantos estragos vês Esta infeliz víuva, Foi-lhe o telhado ao ar Depois, já nem da chuva Tinha onde se abrigar.De mais a mais sósinha, Sem ter nenhum dos seus Aqui ao pé ceguinha.
olhos só elles valem Duas estrellas, bem vês Pois vozes que a tua igualem Na doçura, na pureza, Na terra, não, com certeza Agora no céo, talvez.Não ha assim perfeição, Não ha nada tão perfeito, Mas é um grande defeito O de não ter coração.
Murcha a rosa que desgosto Só de lhe a gente bulir E essas rosas do teu rosto É em alguem te tocando Que parece mesmo quando Ellas acabam de abrir.Cheiro, o da rosa, esse não, Não é mais do meu agrado, Que o teu bafo perfumado, A tua respiração.
concebo Como Deus me creasse Para tormento eterno Elle que tão affavel, meigo e terno Te beija a ti a face E te embala no collo, Margarida A mim dar-me esta vida...Mas vejo á sombra d altos edificios Miudissimas flôres De tão subtís e delicadas côres Que se o sol lhes chegasse Talvez que nem resquicios Lhes ficasse.
desprezaes embora Culto e adoração De quem vos ama agora As dôres, essas não.Despe o luto da tua soledade E vem junto de mim, lirio esquecido Do orvalho do céo Tens nos meus olhos pranto de piedade, E se és, mulher irmã dos que hão soffrido, Mulher sou irmão teu.
Agora carcomida.Colhesse-as eu mais cedo E logo que alvorece Já não tivesse medo Que a terra m as comesse.Mas pura, como a neve Que ás vezes cahe na serra, É que a nossa alma deve Tambem voar da terra.Gelasse a morte fria A mão profanadora Que te ennublasse um dia A luz que dás agora.
Pára, quando a engole Aquelle mar sem fundo Nem pára é como o sol E como todo o mundo...Ahi não pára nada, Tudo viaja e anda, Que a ordem lhe foi dada, E dada por quem manda.Chega a corrente lá, Engole-a logo a onda Depois, que é d ella já A nuvem que responda.
tambem, Amparando-me tu a mim nos braços, Eu seguia-te os passos, Fosse por onde fosse E d essa sorte Até a morte Me seria dôce.Dorme, estatua de neve, Vergontea de marfim Tocar que impio se atreve No que é sagrado assim Dois são o mais, mysterio Vedado á terra.
bonita, meu amor Que perfeita, que formosa A ti pozeram-te Rosa, Não te fizeram favor.A rosa, quem ha que a veja Bandeando, sem gostar Mas por mais linda que seja A rosa, quando se embala, Não te ganha nem iguala A ti em indo a andar.A rosa tem linda côr, Não ha flôr de côr mais linda Mas a tua côr ainda É mais fina e é melhor.
Bemdito seja Deus Além n aquelle serro Parece que raspou Com uma pá de ferro A terra que encontrou.Nem um só pé de trigo És lá capaz de vêr.Já eu disse commigo Como póde isto ser As arvores arranca O vento muito bem Serve-lhe de alavanca A rama que ellas tem.
lindo pé que tens, Maria Esse quadril tão largo, e cinta estreita, Me não vinha á idéa noite e dia Esses encontros de mulher perfeita, Esse peito redondo e arqueado Como o de pomba farta e satisfeita.Talvez vivesse então mais socegado, Ou já que minha sorte é sempre triste Ao menos não andasse enfeitiçado.
essas azas, estendida, Me tapavas tu todo, E d esse modo, Com esse escudo, Eu ria-me de tudo E levava esta vida alegremente.Tenho essa fé.Vejo tambem a flôr que nasce ao pé D agua corrente, Ir tão suavemente Levada pela agua Talvez até sem magua De deixar sua mãi.
linda, Rosa da madrugada Que sinto a alma ainda Andar-me enfeitiçada.Se um dia nos meus braços Te desbotasse as côres, Passavam os abraços...Passavam os amores Oh não mil vezes antes No céo lá onde habitas, E os rapidos instantes Que vens e me visitas N este degredo nosso, Que tanta gente estima, E eu, só porque não posso, Não largo e vou lá cima.
ainda o pranto corria E o cabello me batia No rosto, que me doía, Tal era a força do vento Já tudo tão pardacento A nevoa e chuva fazia Que eu olhava, mas dizia É nuvem ou penedia Aquelle vulto cinzento O mar brilhante algum dia Como prata luzidia Já ninguem o distinguia Da terra e do firmamento Uivar só é que se ouvia, Mas uivar sem sentimento E como em grande tormento Se desvaira a phantasia Fosse eu mar, disse valia Mais ser coisa bruta e fria, Como a rocha onde me sento.
mas vejo o que Não sou eu tão tola Que cáia em casar Mulher não é rola, Que tenha um só par Eu tenho um moreno, Tenho um de outra côr, Tenho um mais pequeno, Tenho outro maior.Que mal faz um beijo, Se apenas o dou Desfaz-se-me o pejo, E o gosto ficou Um d elles por graça Deu-me um, e depois, Gostei da chalaça, Paguei-lhe com dois.
cobrar logo A fórma e côr perdida, E a bocca toda fogo Ah inspirar-me a vida Supplíca, ó anjo implora Ao Pai universal Que me deixe ir embora D este horroroso val De lagrimas amargas, E turvas de tal modo, Como umas nuvens largas Que tapam o céo todo Inferno e céo, conforme A nossa fé, confesso Que é um mysterio enorme, É um mysterio immenso.