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cobrar logo A fórma e côr perdida, E a bocca toda fogo Ah inspirar-me a vida Supplíca, ó anjo implora Ao Pai universal Que me deixe ir embora D este horroroso val De lagrimas amargas, E turvas de tal modo, Como umas nuvens largas Que tapam o céo todo Inferno e céo, conforme A nossa fé, confesso Que é um mysterio enorme, É um mysterio immenso.
essas azas, estendida, Me tapavas tu todo, E d esse modo, Com esse escudo, Eu ria-me de tudo E levava esta vida alegremente.Tenho essa fé.Vejo tambem a flôr que nasce ao pé D agua corrente, Ir tão suavemente Levada pela agua Talvez até sem magua De deixar sua mãi.
não, a paixão que assim me trouxe Tão erradio a mim, digo a verdade E nem eu te negava se assim fosse.É que a gente na sua mocidade Não cabe em si, não pára de contente, E assim fui eu na flôr da minha idade.Tu eras n esse tempo simplesmente A flôr que vai nascendo e mais valia Seres tão tenra ainda e innocente.
Talvez do solio ethereo Nem baixe os olhos seus.Respeita-os, tapa-os, como Japhet e Sem, o pai...Pende, sagrado pomo A vista ergue-se e cai.Ergue-se e cai, conforme A lei, que o manda assim.Ergue-se e...Dorme, dorme, Vergontea de marfim Mas dize o espelho a imagem Te estampa mal te vê Beija-te o seio a aragem, Doira-te o sol porquê Não segue acaso a sombra Teu corpo sempre, flôr E pois, porque te assombra Meu insensato amor Ás vezes passas tremula Como sagrada luz E os olhos dizem vemol-a Como no alto a cruz.
andam a passar Do quarto onde acabaste Á casa de jantar Os vultos, que deixaste.Os vultos, que os vestidos Tão negros que pozeram, De luto, tão compridos, Não sei que ar lhes deram A tua bella irmã, A tua piedade, A rosa da manhã, A flôr da mocidade, Quem lhe diria a ella, Tão cheia de alegria, Que haviamos de vêl-a Assim já hoje em dia É esta vida um mar, E bem se póde a gente, Marina comparar A rapida corrente, Que vai de lado a lado Por esses valles fóra Sem nunca lhe ser dado Ter a menor demora.
tambem a lua pára Se algumas vezes repara N uma nuvem menos clara, É um momento e...passou.Não ha existencia alguma Que não tenha amor nenhuma Porque o amor é, em summa, Essencia de todo o sêr.Ha sempre quem nos attráia.Mil vezes que a onda cáia, Ha uma rocha, uma praia Aonde a onda vai ter.
Depois a rosa em abrindo Vai-se-lhe o cheiro tambem A tua bocca em te rindo Só o bom cheiro que exhala...E quando fallas, a falla, Isso é que a rosa não tem.Ella o que tem, meu amor O cheiro, a côr e mais nada.Confessa, rosa animada Que és outra casta de flôr.
bonita, meu amor Que perfeita, que formosa A ti pozeram-te Rosa, Não te fizeram favor.A rosa, quem ha que a veja Bandeando, sem gostar Mas por mais linda que seja A rosa, quando se embala, Não te ganha nem iguala A ti em indo a andar.A rosa tem linda côr, Não ha flôr de côr mais linda Mas a tua côr ainda É mais fina e é melhor.
quando penso bem n esse mysterio Da virtude infeliz vai teu caminho Dois mundos Deus creou.Deus não dispara a setta envenenada Á pombinha que aos ares despedira Com mão traidora e vil.Imagem sua, Deus não volve ao nada, Não aniquila a flôr que ao chão cahira Lá d esse eterno abril.
Consolos não te dou, que não existe Quem de lagrimas suas nunca enxuto Possa as d outro enxugar Não póde allivios dar quem vive triste, Mas é-me dôce a mim chorar se escuto Alguem tambem chorar.Botão de rosa murcho á luz da aurora Que peccado equilibra o teu martyrio Na balança de Deus Se é como justo e bom que elle se adora Quem te ha mudado a ti, ó rosa em lirio, E em lirio os labios teus Não enche elle de balsamos o calix Da flôr a mais humilde, e esses espaços Não enche elle de luz Não veio o Filho seu, lirio dos valles Só por amor de nós tomar nos braços Os braços d uma cruz Mulher, mulher quando eu n um cemiterio Levanto o pó dos tumulos sósinho Eis, digo, eis o que eu sou.
tambem, Amparando-me tu a mim nos braços, Eu seguia-te os passos, Fosse por onde fosse E d essa sorte Até a morte Me seria dôce.Dorme, estatua de neve, Vergontea de marfim Tocar que impio se atreve No que é sagrado assim Dois são o mais, mysterio Vedado á terra.
Não resuscito Morto tenho eu vivido a vida toda.Trazeis-me rosas d onde as heis trazido, Boa velhinha e minha boa amiga Rosas no inverno permitti que o diga, Sois feiticeira d onde as heis colhido Na primavera de meus annos, ólho, Mas vejo abrolhos e não vejo flôres E vós colhêl-as, como as eu não colho.
Sim, lagrimas d amor Vê n esse espaço immenso Os astros como estão Bem como eu estou, suspenso Por intima attracção.Porque ha quem os attráia É essa eterna paz Que a mim de praia em praia A suspirar me traz.Converte-me este inferno Em azulado céo, Ou quebra o laço eterno Que a tua luz me deu Ou antes muda em espuma De nunca estavel mar Esta alma que alma alguma Póde exceder em amar.
Amo-te a ti, e a Deus.Teus sonhos são riquezas Talvez e fasto.Os meus, És tu, que me desprezas.Deixal-o.Amor acaso É racional Não é.O fogo em que me abrazo É como a luz da fé Que além de cega, apaga O facho da razão.Ama-se e não se indaga Se se é amado ou não.
Astros fio-me em vós, e Deus permitta Que os infelizes sempre em vós se fiem.Intima voz do fundo, bem do fundo D alma me diz e as lagrimas me saltam Vês os milhões de soes que o espaço esmaltam Pisa a terra a teus pés, inda ha mais mundo.Ha depois d esta vida inda outra vida.
Murcha a rosa que desgosto Só de lhe a gente bulir E essas rosas do teu rosto É em alguem te tocando Que parece mesmo quando Ellas acabam de abrir.Cheiro, o da rosa, esse não, Não é mais do meu agrado, Que o teu bafo perfumado, A tua respiração.
Peço perdão, commovi-me E n um extasi sublime Lagrimas de penitencia, Como um balsamo, uma essencia, Purificam-me e senti-me Com uma nova existencia.Ólho as nuvens esvaíam-se Os roncos do mar ouviam-se, Mas já mais de espaço a espaço.O sol ainda tão baço, De luz tão pouco brilhante, Que se media a compasso Como a cara d um gigante, Descobre-se e resplandece Ao longe o mar apparece E tudo, mar, terra e céos Tão formoso me parece, Como se agora tivesse Sahido das mãos de Deus No rochedo onde descança Meu corpo desfallecido, O verde musgo, vestido Sempre da côr da esperança, Agora reverdecido, Me ensina a ter confiança N esse que do céo nos lança Em dia tempestuoso, Só para nosso repouso O arco da alliança.
Acordo até de noite suspirando Por que rompa a manhã e tenha o gosto De te vêr já tão cedo trabalhando.Desde pela manhã até sol-posto Que não tens de descanço um só momento Por isso tens tão bella côr de rosto.E eu pallido, Maria O pensamento Não é trabalho que nos dê saude, Esta imaginação é um tormento.
bello tempo aquelle em quanto pude Levar, como tu levas, todo o dia N essa vida chamada ingrata e rude Nunca soube o que foi melancolia, Nunca provei as lagrimas salgadas Com que a nossa alma as penas allivia Andava sim por essas cumiadas Ao sol, á chuva, muita vez, sósinho, Vendo os valles, das rochas escarpadas Descendo pelo córrego estreitinho, De pontal em pontal, cortando o matto, Pelas chapadas, fóra de caminho Mas não era que já o teu retrato Me andasse a mim no coração impresso, Onde hoje o trago no maior recato, E um desengano teu que não mereço Me tivesse tirado a fé tão dôce D alcançar algum dia o que appeteço.
sobe e vai.Vai d estas densas trevas, d esta cruz, Levar-lhe...quanto levas, pobre luz Amor, que em mim não cabe, vai depôr Em Deus, e Deus bem sabe se era amor Se d outra flôr o calix mais libei Por esses quantos valles divaguei Se um nome em igneo traço li no céo, Nas ondas e no espaço, mais que o seu.
embora o tempo gira.Um dia o botão, que aspira O ar da manhã...suspira E levanta o collo ao céo Vê vir raiando a aurora, Abre o seio á luz que adora, Correm-lhe as lagrimas, chora...Chora o tempo que perdeu Porque elle, Emilia não teme Que a luz da aurora o queime Elle suspira, elle geme Por vêr a luz que o creou.
andas já presentida D essa voz que te convida A encetar n esta vida Ai uma vida melhor...E em breve desenganada D essa existencia isolada, Darás n alma franca entrada A sentimentos de amor Como esse olhar é dôce Dôce da mesma sorte Como se nunca fosse Toldado pela morte Como se alumiasse O sol ainda em vida As rosas d essa face.
valle, ambas irmãs, nascidas fomos És como eu sou E amamo-nos, e flôres ambas somos, Mas eu não vôo.A ti leva-te o ar prende-me a terra A mim e eu Como hei-de perfumar-te em valle e serra, E lá no céo...Mais longe inda tu vás, por outras flôres.
Amo-te.O mais ignoro.Mas os meus ternos ais E as lagrimas que chóro Podem dizer o mais.Que chóro se te admira.Nunca tiveste amor.Quem tem amor, suspira, E o suspirar é dôr.Ah quando abraço e beijo O travesseiro e, assim, Acórdo e te não vejo, Vejo-me só a mim Não sei, mulher que anceio Se me traduz n um ai Confrange-se-me o seio, Rebenta o pranto e cái.
Depois de mortos Hemos de vêr-nos, e um no outro absortos Fartar de glorias este amor tão triste. Tão triste, e o coração que me adivinha N este supplicio nosso este tormento Nunca dos labios teus minimo alento N um só beijo bebi em vida minha E morro sem te vêr Cabeça doida, Desasisado amor Sonhar afflicto Um sonho até morrer.
cinza, em terra, em nada, Meu sêr converte, ó luz, Mas sempre, sempre amada, Deliciosa cruz Em fumo se vai tudo, amigo Olhando Para as nuvens do céo, nuvens d aquellas, E parece-me ainda que mais bellas, Anda a gente fazendo e desmanchando.Dá-me uma saudade em me lembrando O bello tempo que passei com ellas, Por essa immensa abobada de estrellas, Por esse mar de fogo viajando.
Não cabe Em nossa pobre lingua O que a alma sente, á mingua De voz, que só Deus sabe.Um dia, não sei que eu tinha...Uma tristeza tamanha E lembra-me ir á montanha, Que temos aqui vizinha, Onde em tempo me entretinha Horas e horas sósinha Quando ainda se não estranha Que n uma teia de aranha Se prenda uma innocentinha, Ou atraz d uma avesinha Se cance a vêr se a apanha.
arvore, o que faz Enrola-se na copa E, tronco e tudo, zás Que as folhas não são nada, Uma por uma, não Mas já uma pernada...Tão poucas ellas são Vê lá se o teu cabello É para comparar Mas, possa alguem sustel-o, Levanta-te no ar.
Foi um diluvio d agua E o furacão, que fez, Emilia até dá mágoa Tantos estragos vês Esta infeliz víuva, Foi-lhe o telhado ao ar Depois, já nem da chuva Tinha onde se abrigar.De mais a mais sósinha, Sem ter nenhum dos seus Aqui ao pé ceguinha.
que mora Em peito onde não cabe.Ha uma luz mais clara Que a luz do pensamento A d essa imagem cara...A d este sentimento Ha uma hora ou mais, Marina que contemplo A casa de teus paes Que é para mim um templo.Está a porta aberta, E vejo alumiada A parte descoberta Da casa da entrada.
trovão no momento Que soltava esta heresia E áquella rouca harmonia Occorre-me um pensamento, Que me dá uma pancada O coração de tal modo, Como se o rochedo todo Desandasse na chapada.Era a voz da consciencia Que me accusava do crime De negar á Providencia A razão com que me opprime.
Deixa que ao espaço immenso os olhos lance O sol antes que expire Que pelo norte a bussola suspire E nelle só descance.Amam leões e tigres.Não ha nada, Anjo que a amor se esconda.Beija a pomba o seu par e abraça a onda A rocha inanimada.Deixa que a nuvem negra tolde a lua Se a leva a tempestade Deixa que eu te ame a ti, cara metade, D esta alma toda tua Maria vêr-te á porta a fazer meia, Olhando para mim de vez em quando, É o que n esta vida me recreia.
Pobre musgo, descuidado, Sem olhos para chorar, Sem poder alliviar Com seu pranto um desgraçado, Consolar-se e consolar Fallas mais a meu agrado Que o livro mais afamado D esses livros, que em lugar De nos dar consolação, Nos fazem cahir no chão Um pranto mal empregado, E inda mais amargurado Nos deixam o coração.
Agora carcomida.Colhesse-as eu mais cedo E logo que alvorece Já não tivesse medo Que a terra m as comesse.Mas pura, como a neve Que ás vezes cahe na serra, É que a nossa alma deve Tambem voar da terra.Gelasse a morte fria A mão profanadora Que te ennublasse um dia A luz que dás agora.
flôres.A Rosa trouxe-me rosas E nada mais natural, Mas eu prendas tão mimosas É que não tenho inda mal.Quando tinha, se me désse, Não digo mais que uma flôr, Talvez de flôres lhe enchesse Esses cofrinhos d amor.Aguas passadas, Rosinha Deixal-o veja se vê N este chão que já foi vinha Coisa que ainda se dê.
baixo, abala, Deixa em podendo o collo Tão terno que te embala, E vem-me dar consolo.Como essa imagem pura Ah sobrevive ao nada E escapa á sepultura, Tão fresca e perfumada Nunca uma noite eu deixe De estar a vêr que existes, Em quanto me não feche O somno os olhos tristes.
admira a mim que o sol, monarcha De indisputavel throno, e throno eterno Em céo e terra e mar Que em seu imperio o mundo inteiro abarca Abaixe á pobre flôr seu dôce e terno, Mavioso olhar.Não me admira a mim que a crystallina, Tão pura, onda do mar, que espelha a face Do astro creador, Que essas asperas rochas cava e mina, Á praia toda languida se abrace E toda amor Mas sendo vós um sêr mais precioso Do que onda e sol um anjo de poesia Inspirada e que inspira Que ás minhas mãos, das vossas, tão mimoso, Delicado penhor descesse um dia É que me admira.
mysterio é tudo Folhinha d herva, e estrella, Não ha comprehendêl-a É contemplal-a mudo.E a herva, como existe, A mim quem m o diria, Se a luz que me alumia Nem sabe em que consiste Mas uma coisa sabe O que a cabeça ignora O coração.
Abraços, abraços Que mal nos farão Se Deus me deu braços, Foi essa a razão.Um dia que o alto Me vinha abraçar, Fiquei-lhe d um salto Suspensa no ar.Amores, amores.Deixál-os dizer Se Deus me deu flôres, Foi para as colher.Eu tenho um moreno, Tenho um de outra côr, Tenho um mais pequeno, Tenho outro maior.